Segundo Renato Duque, o dinheiro de propina da Sete Brasil teria abastecido contas do PT, de José Dirceu e de Lula. Ainda de acordo com o delator, o ex-ministro Antonio Palocci teria gerenciado os valores desviados para o presidente na época em que estava no governo.
Em outro anexo, o ex-diretor de Serviços da Petrbras fala dos encontros com Lula, como o que ocorreu no hangar do aeroporto de São Paulo, em 2014. Lula confirmou o encontro e disse que pediu a João Vaccari Neto que marcasse a reunião.
Duque afirma que o registro das passagens são os voos JJ 3929 e JJ 3944, ida e volta Rio-Congonhas.
Uma pessoa ouvida pela reportagem que acompanha as investigações disse que a versão de Lula, de que pediu o encontro no hangar com Duque após relatos na mídia de uma conta no exterior, será confrontada.
Motivo: interlocutores do ex-diretor da Petrobras sustentam que, até a data do encontro, não havia notícia consistente de conta no exterior de Duque.
Lula confirmou em depoimento a Moro que esteve com Duque no hangar em São Paulo, mas não se lembrava da data. Nesta semana, em petição à Justiça, o delator informou que o encontro ocorreu em 2 de junho de 2014.
No depoimento, o ex-presidente da República foi questionado por Moro sobre a data em que havia ocorrido a conversa.
“Eu não tenho ideia, doutor. Sei que foi num hangar lá em Congonhas, e a pergunta que eu fiz para o Duque foi simples: tem matéria nos jornais, tem denúncia de que você tem dinheiro no exterior, de que está pegando da Petrobras. Você tem conta no exterior? Ele falou: ‘não tenho’. Acabou.”
Em cronologia discutida pelo ex-diretor, Duque relembra que a primeira notícia que explicitava sua relação com empresas suspeitas de pagamento de propina na Petrobras foi em 29 de junho de 2014.
Tratava-se de uma reportagem sobre uma viagem oferecida pela SBM Offshore, suspeita de pagar propina a funcionários da Petrobras em troca de contratos.
Sobre as contas de Duque, a primeira informação sobre isso sairia no período em que ele foi preso: novembro de 2014.