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60 Anos Bem Vividos: A Arte de Florescer em Todas as Estações
Chegar aos 60 anos, ou transpor essa marca, é um marco que merece ser celebrado não apenas com festa, mas a profunda reflexão sobre o que realmente significa uma vida bem vivida.
Longe da narrativa de declínio que o senso comum insiste em propagar, a sexta década se apresenta como um período de colheita, sabedoria e, surpreendentemente, de novas descobertas. Não se trata de simplesmente “envelhecer”, mas de florescer na maturidade.
A grande diferença entre “chegar” aos 60 e “viver bem” aos 60 reside na perspectiva. Os anos acumulados não são um peso; são um capital de experiências. O profissional que dedicou décadas à sua carreira agora tem a clareza para mentorar e a liberdade para buscar hobbies negligenciados. O pai ou a mãe que criou sua família agora redescobre o parceiro, os amigos e, fundamentalmente, a si mesmo.
É hora que chegam os netos, aquele olhar e ações de avô que só quer agradar, uma troca de olhares que dizem tudo e que ao se sentir parte da vida daquelas pequenas almas, ela(e)s que ainda estão dando os primeiros passos, os primeiros risos e primeiras palavras, nos ensinam tanto. O velho se faz novo, é a vida que se perpetua e se propaga. E quando se ouve a palavra vovô? Aí tudo se esquece, tudo se resolve, é um bálsamo que cura todas as nossas enfermidades, sejam elas físicas ou espirituais.
O segredo, como nos ensinam aqueles que abraçam esta fase com entusiasmo, é a adaptabilidade e a curiosidade contínua. O mundo mudou radicalmente nos últimos 60 anos, e aqueles que mantêm a mente aberta para o digital, para a inteligência artificial, para as redes sociais, para as novas formas de comunicação e para a busca de novos conhecimentos garantem sua relevância e satisfação. Aprender um novo idioma, dominar um aplicativo, ou até uma nova profissão, ou ainda se aprofundar em uma causa social, religiosa inclusive, são atitudes que injetam vitalidade na rotina.
Para um o católico como eu, esta fase da vida assume uma dimensão espiritual particularmente rica. Os 60 anos não marcam apenas a “terceira idade” humana, mas a maturidade da fé, onde a esperança não é vaga, mas ancorada na promessa de Cristo. As décadas de oração, de participação na Eucaristia, na comunidade junto aos irmãos e de vivência dos sacramentos, oferecem um alicerce inabalável para enfrentar as inevitáveis perdas e desafios do envelhecimento.
É o tempo de aprofundar a vida interior. O silêncio e a contemplação, muitas vezes difíceis na correria da juventude e da vida adulta, tornam-se refúgios e fontes de graça. A Santa Missa, a oração do terço, a leitura da Palavra e a Adoração Eucarística não são mais deveres, mas sim um encontro terno e diário com Deus, que confere serenidade e paz interior. A maturidade espiritual, permite um olhar mais compassivo para si e para o próximo, exercitando a caridade e a misericórdia com a sabedoria adquirida.
A espiritualidade madura também se manifesta na ação. Muitos idosos católicos encontram uma nova vocação no apostolado da oração, intercedendo pelas famílias, pela Igreja e pelo mundo. Outros se dedicam ao serviço silencioso, seja na pastoral da visitação de enfermos, na catequese ou em obras de caridade. A experiência acumulada é um tesouro que deve ser compartilhado, transformando o lar em uma “Igreja doméstica” e a comunidade em um campo fértil para a evangelização através do testemunho.
É claro que a manutenção da saúde é vital. Isso não significa buscar a juventude a todo custo, mas sim priorizar o bem-estar físico e mental. Uma rotina de exercícios adaptada, uma alimentação balanceada e o cuidado com a saúde mental são os pilares para que se possa desfrutar plenamente de toda a liberdade e sabedoria que esta idade oferece.
Em resumo, os 60 anos bem vividos, não são o final de uma jornada, mas o início de uma das mais ricas. É o momento de exercer a liberdade conquistada com responsabilidade e alegria. É saber que cada ruga conta uma história, cada experiência forjou um caráter, e que a melhor estação da vida é sempre aquela que estamos vivendo agora, na certeza da presença amorosa e providente de Deus. A arte de florescer reside em honrar o passado enquanto se planta o futuro, guiado pela esperança e fé em Cristo.
Por André Aguiar.