Economia
33% dos devedores não saem do calote antes de 2017
“A situação se agravou e até mesmo o incremento de renda por conta do pagamento de 13.º salário, que poderia ajudar na renegociação de dívidas, neste ano será menor”, diz Jair Lantaller, diretor do Instituto Geoc e responsável pela pesquisa que será apresentada hoje, em São Paulo, no 11.º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança.
A enquete nacional, feita no mês passado, consultou 300 mil consumidores que, nos últimos 12 meses, tiveram alguma dívida não paga. Destes, oito em cada dez voltaram a ter dívidas em atraso. Dos inadimplentes reincidentes, 24,9% têm mais de quatro dívidas. Na média, o número de pendências oscila entre três e quatro, sendo maior entre os desempregados.
Um dado surpreendente, segundo Lantaller, é que, em média, 46,7% dos inadimplentes não sabem o quanto devem. Essa parcela é maior nas faixas de menor renda. Exemplo: 57,4% dos inadimplentes com renda mensal de até R$ 1.449,99 desconhecem o valor da pendência.
Motivos
Problema inesperado, com 48,9% das respostas, e perda de renda, com 41,8%, são os principais motivos apontados pelos entrevistados para deixar de quitar os débitos em dia. O descontrole de gastos, com 16,7% das respostas, ocupa a terceira posição entre os fatores de inadimplência. Até pouco tempo atrás, quando as famílias viviam um boom de consumo, com crédito farto, inflação contida e juros baixos, o descontrole de gastos liderava o ranking de motivos do calote.
As dívidas no cartão de crédito e no crédito pessoal, com 66,6% e 43%, respectivamente, continuam sendo apontadas como as principais linhas de financiamento que levaram à inadimplência. Mas um dado preocupante é que os débitos com serviços obrigatórios, que reúne contas atrasadas de luz, água e telefone, foram responsáveis por 33,8% das dívidas que levaram à inclusão na lista de devedores.
O resultado pode parecer contraditório, já que 80,2% dos entrevistados disseram que jamais deixariam de pagar essas contas. No entanto, a recessão atual, combinada com o aumento das tarifas, apertou de tal maneira o orçamento das famílias que elas se tornaram inadimplentes até nessas despesas.
Estatísticas
Apesar de o último dado do Banco Central, o de setembro, não apontar um aumento significativo da inadimplência, Lantaller acredita que essa alta vai aparecer nas estatísticas dos próximos meses.
Além dessa defasagem de dados, o diretor do Instituto Geoc observa que a exigência da assinatura do consumidor do Aviso de Recebimento (AR) para incluí-lo no cadastro de inadimplentes, obrigatória para São Paulo, que é o maior mercado de crédito do País, acabou subestimando os indicadores de calote recentemente.
Com Blog do Gordinho